Que dia feliz!

O dia 19 de junho de 2010 foi um dia especial. Os alunos do 2º Fi, que trabalham com o tema “mulher”, tiveram a oportunidade de conversar com três lideranças partidárias municipais – Stoessel Ribeiro, representando o PPS e Ana Vírginia e Maria de Oliveira representando o PMDB.

Os alunos tiveram, nesse encontro, a possibilidade de discussão a respeito de vários assuntos no que tange a questão política no município e no país. Nessa conversa verificaram toda problemática que afeta as mulheres também na política, a desigualdade e, até mesmo, a discriminação a que estão submetidas inclusive dentro dos partidos políticos.

Maria de Oliveira, vice-presidente do PMDB Uberlândia, instigou os alunos ao se apresentar como alguém que sofreu e sofre na pele a condição da desigualdade e discriminação na sua trajetória política por conta de seu status social de “mulher, negra e pobre”, revelando que o preconceito perpassa a questão de gênero e encontra relação com a condição étnica e social.

Os estudantes, além disso, constataram a importância de ampliação da participação política de todos os segmentos da sociedade, inclusive dos jovens, para que a própria política seja um instrumento eficiente na elaboração de políticas públicas em geral que ultrapassem as divergências ideológicas partidárias tornando-se, assim, um canal de expressão que fortaleça o processo democrático.

Mas, o que isso tem de tão feliz? Ver jovens seduzidos a debaterem política, um assunto considerado, em geral, pouco atrativo e de pouco interesse público. Agora, acha que terminou por aí…?! Não!!! Depois do debate com as lideranças partidárias os alunos “arregaçaram as mangas” e foram à praça Tubal Vilela aplicar um questionário para a compreensão da opinião pública sobre a condição da mulher na sociedade. Sabe o que teve de duplamente feliz nesse momento? Ver os estudantes se indignarem com as respostas dos entrevistados e terem que se portarem frente aos mesmos com “ares” de neutralidade como a pesquisa científica exige. Mas, ao final do trabalho veio o desabafo: – Fulano disse um absurdo!!! – Eu não acredito que uma pessoa assim possa pensar dessa maneira!!! Eu, a professora, pobre expectadora do trabalho, não me cabia de satisfação. Sabe por quê? Perceber que a educação é surpreendente e que aprender nem sempre se dá na sala fria entre quatro paredes, muito pelo contrário, que a condição humana, a vida ao vivo e em cores é capaz de revelar e ensinar muito mais… Foi ótimo ver os alunos inspirados pelo desejo de mudar as coisas, revelando o ímpeto da própria juventude sonhadora. O dia 19 de junho mostrou que jovens estudantes do ensino médio se preocupam com os rumos da sociedade e suas questões sociais e políticas derrubando mais uma vez a visão do senso comum que adolescentes não são maduros e se preocupam apenas com seus próprios “mundinhos”.

Que dia feliz! Que dia feliz!!!

Texto por Leandra Guerin